O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de três decisões que tratam de corrupção, desvio de emendas parlamentares, de um homicídio e da atuação criminosa de um policial federal infiltrado no Maranhão. Um dos casos trata da atuação do senador Weverton Rocha (PDT-MA).
De acordo com as investigações, o parlamentar teria atuado para travar no Superior Tribunal de Justiça (STJ) o andamento da apuração do assassinato de um empresário maranhense em 2022.
Nos autos, estão diálogos entre o senador e o ministro Humberto Martins que era o relator do caso na Corte. Em uma das decisões, Dino relata a existência de um “ecossistema empresarial criminoso” no Maranhão.
“Há no estado do Maranhão um ecossistema empresarial criminoso, destinado ao desvio de recursos públicos (abrangendo inclusive emendas parlamentares federais). Em agosto de 2022, ocorreu um homicídio naquele estado, supostamente em face de cobrança de propinas em contratos públicos de interesse do citado ecossistema delituoso”, escreve Dino.
O ministro diz que a tentativa de obstrução das investigações “envolveria policiais federais e civis, advogados, políticos (entre os quais um senador da República)”. Um policial federal foi afastado após ter indicação de ligação com o esquema. Ele teria visitado o autor do homicídio e seus familiares.
“Segundo a autoridade policial, o referido homicídio decorreu de desavença no pagamento de contratos públicos e propinas, levando à prática de outros crimes, inclusive a suposta ‘compra’ de vagas e nomeações no Tribunal de Contas daquele estado, a fim de obtenção de impunidade a partícipes do agrupamento criminoso”, afirmou Dino.
O senador Weverton Rocha nega envolvimento em irregularidades. Procurado, o STJ ainda não se manifestou.

