Uma troca de mensagens públicas entre o deputado estadual Zé Inácio (PT) e o vice-governador Felipe Camarão (PT), pré-candidato do partido ao Governo do Maranhão, revelou divergências internas e levantou questionamentos sobre a unidade do Partido dos Trabalhadores no estado às vésperas da disputa eleitoral de 2026.
O episódio começou após Zé Inácio publicar, na noite de segunda-feira (13), uma crítica ao cenário político envolvendo a sucessão estadual. Em postagem na rede social X, o parlamentar ironizou uma possível composição da chapa petista, afirmando que a “saída salomônica” para o PT seria lançar Felipe Camarão e a senadora Eliziane Gama como candidatos ao Senado, sem disputar o Governo do Estado.
“Diante das últimas movimentações políticas, a saída salomônica para o PT do Maranhão parece ser uma chapa tipicamente ‘Camarão’: Felipe e Eliziane candidatos ao Senado, sem candidatura ao Governo do Estado. Em outras palavras, uma chapa sem cabeça!”, escreveu o deputado.
A publicação teve resposta imediata de Felipe Camarão, que cobrou do correligionário coerência e o cumprimento do compromisso de apoiar a decisão partidária.
“Em vez de piadinha sem graça no X, quero é ver você cumprir sua palavra e apoiar o candidato do Lula e do PT no Maranhão como você disse publicamente aqui nesta rede. Ou vai fazer jus ao apelido de pequi?”, respondeu o vice-governador.
O embate chamou atenção por contrastar com o clima de cordialidade registrado há poucos meses entre os dois petistas. Em abril deste ano, Zé Inácio havia afirmado publicamente que sempre respeitou as decisões do PT e questionou se Felipe Camarão também seguiria qualquer deliberação da legenda para as eleições de 2026.
Na ocasião, Camarão respondeu positivamente, afirmando: “Tá fechado, sim”, e reforçou a parceria política ao escrever em outra publicação: “Amigo Zé Inácio, estou te esperando e contando contigo nessa caminhada!”.
A recente troca de críticas, no entanto, evidencia um momento de tensão dentro do partido em meio às discussões sobre a formação da chapa majoritária e o posicionamento do PT na sucessão estadual. Embora a direção da legenda ainda não tenha se manifestado sobre o episódio, o embate público entre duas de suas principais lideranças reforça as especulações sobre divergências internas em torno da estratégia eleitoral para 2026.

