Documentos tornados públicos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a retirada do sigilo do “Caso Master”, revelam que a Polícia Federal (PF) investiga o uso indevido de credenciais de uma servidora do Ministério Público Federal no Maranhão (MPF-MA) para acessar dados sigilosos. As apurações apontam a tentativa de extração de informações sobre a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
De acordo com o relatório da PF encaminhado ao STF e ao MPF-MA, as credenciais da funcionária foram utilizadas ao menos cinco vezes. O órgão de segurança informou que a servidora foi vítima de phishing — golpe cibernético utilizado para a obtenção ilícita de senhas. Comunicado sobre o ocorrido em 2025, o MPF abriu uma investigação interna e confirmou a utilização indevida do acesso.
Histórico de acessos e apuração
O primeiro registro de acesso data de 2023, atribuído pela PF a Luiz Phillipi Mourão, apontado como chefe operacional do grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. Na ocasião, foram extraídas informações sobre notícias-crimes apresentadas pelo jornalista Vladimir Timmerman. Novas consultas ao sistema ocorreram nos meses de março, junho e julho de 2024. A PF identificou também troca de mensagens na qual Mourão enviou seis documentos sigilosos a Vorcaro de forma simultânea.
A servidora integra o quadro do MPF-MA desde 2006 e, à época dos fatos, atuava no gabinete do procurador da República Marcílio Nunes Medeiros. A PF ressaltou no relatório que o uso das credenciais por terceiros não implica, necessariamente, o conhecimento ou a participação voluntária dos titulares. O documento indica que as extrações podem ter ocorrido com ou sem a ciência dos servidores, hipótese que permanece sob investigação.
Vínculos familiares e desdobramentos
A servidora citada no relatório é Alina Franco Boueres de Araújo, casada com o delegado da Polícia Civil do Maranhão Brenno Galdino de Araújo. Brenno é irmão de Diego Galdino, ex-secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública durante a gestão do atual ministro do STF, Flávio Dino. O delegado também exerceu os cargos de secretário municipal de Segurança com Cidadania e superintendente da Polícia Civil em São Luís.
Críticas à Corte
Paralelamente às investigações, a atuação do STF tem sido objeto de análise por analistas políticos. Em manifestação sobre o cenário institucional, o cientista político Augusto de Franco avaliou que a Corte enfrenta desgaste em sua percepção de imparcialidade, afirmando que o alinhamento a disputas políticas compromete a credibilidade do tribunal e levanta debates sobre a estabilidade do regime democrático do país.

