Em meados de setembro um fato inédito aconteceu na cidadezinha de Arari, no Maranhão. Um lobo marinho foi avistado às margens do rio Mearim, a aproximadamente 166 km do litoral mais próximo. A ocorrência chamou a atenção dos pesquisadores por ser uma espécie que nunca havia sido registrada na região.

Foi criada uma rede de colaboradores composta por pesquisadores, organizações ambientais, poder público e comunidade local, para definir um plano de ação voltado ao seu manejo e destinação a um lugar onde possa passar pelo processo de reabilitação e retornar a seu habitat natural.

Os primeiros registros do lobo marinho foram feitos por moradores que comunicaram a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia de Arari (Sematec) e o Instituto Amares, que é referência em ecossistemas aquáticos na região. A Sematec e o Amares enviaram técnicos para o local, com o intuito de identificar e avaliar as condições físicas do lobo.

Nas primeiras avaliações, os técnicos informaram que o lobo estava calmo, ativo e reagindo aos estímulos externos. Após alguns dias de monitoramento, a equipe observou o animal mais estressado, provavelmente pela aproximação da população.

Foi formado um grupo composto por pesquisadores em mamíferos aquáticos do Brasil, incluindo membros de instituições com ampla expertise na reabilitação de animais marinhos e mamíferos aquáticos, como o Instituto Mamirauá, a Associação R3 Animal e o Instituto de Pesquisas de Cananéia – IpeC para resgatar e estabilizar o lobo para posterior transporte para uma instituição de reabilitação localizada mais ao sul.

A empresa Mineral Engenharia e Meio Ambiente, que é gestora de um projeto de reabilitação de fauna marinha, com sede em SP, foi contatada e se prontificou a viabilizar o custeio de todo o processo, que inclui a captura, estabilização e transporte até o Instituto Argonauta para Conservação Costeira e Marinha, localizado em Ubatuba, que ficará responsável por todo o processo de reabilitação, incluindo os exames laboratoriais que assegurem a saúde do animal e sua posterior reintrodução na natureza.

“Uma pequena ação, uma pequena contribuição, pode ser a ignição de um movimento que transforma a vida de muitas pessoas e do ambiente. Quando recebemos as informações sobre este caso, vimos uma maneira de contribuir viabilizando o resgate desse jovem lobo marinho, que se aventurou muito além de onde seus companheiros costumam ir! Queremos ser exemplo e motivar outras empresas a tomarem iniciativas semelhantes”, conta Marcos Zabini, diretor da Mineral Engenharia e Meio Ambiente.

No dia 29 de setembro, o biólogo Fernando Alvarenga (Mineral Engenharia e Meio Ambiente) e a médica veterinária Fabíola Santana (Instituto Argonauta) desembarcaram em São Luís no Maranhão para realizar o resgate, estabilização e transporte do animal. Depois de dois dias analisando a melhor forma de conduzir os trabalhos, enfim surgiu a oportunidade e a captura foi realizada com sucesso, contando com o auxílio do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e moradores.

Após a captura, o lobo marinho foi encaminhado para o Centro de Triagem de Animais Silvestres – São Luís – MA (CETAS/IBAMA). Durante o primeiro manejo foi observado que o animal estava magro, desidratado, e exausto, porém alerta e responsivo aos estímulos externos. Foi iniciada a estabilização através da hidratação.

Após os manejos iniciais, a médica veterinária Fabíola Santana explica que “foi observado uma boa atitude do animal e decidimos seguir com o deslocamento para o CETAS/IBAMA, onde será finalizado o processo de estabilização antes de seu transporte”.

Os Lobos são mamíferos que alternam suas vidas entre o ambiente terrestre e o aquático. Buscam a terra para descansar e se reproduzir.

Quando em terra, costumam escolher as rochas situadas em locais onde ocorre uma alta produtividade marinha. Deste modo, conseguem se alimentar sem realizar um grande gasto de energia.

O Instituto Argonauta ficará responsável por todo o processo de reabilitação do animal, incluindo os exames laboratoriais que assegurem a saúde do animal e sua posterior reintrodução na natureza