Buscar
Política

Ministro Flávio Dino suspende quebra de sigilo de Lulinha aprovada pela CPMI do rombo do INSS

Redação

Ministro Flávio Dino suspende quebra de sigilo de Lulinha aprovada pela CPMI do rombo do INSS

O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino suspendeu a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e de outros investigados pela CPMI do INSS. A medida havia sido aprovada pelo colegiado na quinta-feira (26/2).

A decisão liminar foi proferida após mandado de segurança apresentado pela empresária Roberta Luchsinger, também atingida pela deliberação da comissão. No pedido, a defesa sustentou que os requerimentos foram votados em bloco, sem debate individualizado e sem fundamentação específica.

Ao analisar o caso, Dino concedeu parcialmente a liminar para suspender os efeitos da decisão da CPMI e o cumprimento dos ofícios que determinavam o envio de dados. Caso as informações já tenham sido encaminhadas, o ministro determinou que fiquem preservadas sob sigilo na Presidência do Senado até nova deliberação.

“Ante o exposto, concedo em parte a medida liminar para suspender os efeitos do ato impugnado e o cumprimento dos ofícios respectivos ou, subsidiariamente, caso já tenham sido encaminhadas informações, determino o sobrestamento e a preservação sob sigilo pela Presidência do Senado Federal. Não há obstáculo a eventual novo procedimento no âmbito da CPMI, desta feita com análise, debate, motivação e deliberação de modo fundamentado e individualizado. A adoção desses passos e ritos deve ser devidamente registrada em ata, como atendimento do dever constitucional de motivação”, escreveu Dino.

Na decisão, o magistrado afirmou que o poder investigatório das CPIs e CPMIs, embora equiparado ao de autoridades judiciais, deve observar as mesmas garantias constitucionais exigidas do Judiciário. Segundo ele, não é admissível a adoção de medidas invasivas sem motivação concreta e individualizada.

“De igual forma, mostra-se presente o perigo de dano ao direito à intimidade da impetrante se quebrado o sigilo bancário e fiscal sem a devida fundamentação da autoridade competente. Neste ponto, vejo pertinente suspender o ato até que a CMPI – se entender cabível – proceda à nova deliberação”, afirma o magistrado.

CPMI do INSS

A CPMI investiga suspeitas de desvios em benefícios pagos a aposentados e pensionistas do INSS. O nome de Lulinha foi citado no âmbito da operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura irregularidades nos repasses. Embora não tenha sido alvo direto da operação, um ex-funcionário de um investigado afirmou, em depoimento, que ele receberia valores mensais de um dos supostos articuladores do esquema, o “Careca do INSS”.

O requerimento de quebra de sigilo foi apresentado pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), e aprovado em meio a um ambiente de forte tensão. Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram bate-boca e troca de empurrões entre parlamentares, levando à suspensão temporária da sessão.

Na ocasião, governistas acusaram Viana de ter proclamado o resultado em desacordo com o que apontava a contagem visual. O senador negou qualquer irregularidade e afirmou que o governo não reuniu maioria para barrar a pauta. “Perdeu, não tem jeito”, declarou após a reunião. Segundo ele, havia 31 parlamentares presentes e apenas sete votaram contra os requerimentos, número insuficiente para derrubar os itens.

Ontem, o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), havia decidido manter a deliberação da CPMI do INSS que determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal, após a análise de recurso apresentado por 14 deputados e senadores aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).