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São Luís

MPF cobra Estado por falhas no monitoramento da qualidade do ar em São Luís

Redação

MPF cobra Estado por falhas no monitoramento da qualidade do ar em São Luís

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública contra o estado do Maranhão por falhas no monitoramento da qualidade do ar em São Luís. A medida, apresentada nessa segunda-feira (23), cobra a conclusão da rede de estações de medição e mais transparência na divulgação dos dados à população.

Segundo o MPF, a investigação começou em 2024, após representação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que apontou precariedade na qualidade do ar da capital maranhense e relatou mais de três mil violações aos padrões ambientais. O caso passou a ser apurado a partir de pareceres técnicos e de informações analisadas pela própria Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema).

As análises identificaram concentrações elevadas de poluentes como dióxido de enxofre, ozônio e dióxido de nitrogênio, substâncias que podem causar prejuízos à saúde, sobretudo ao sistema respiratório. O ponto mais crítico, segundo a ação, fica na região do Distrito Industrial, na zona rural da capital, onde mais de 100 empreendimentos operam com emissão anual de milhares de toneladas de contaminantes atmosféricos.

O MPF informa que, em 2017, um estudo técnico já havia indicado a necessidade de uma rede de monitoramento com alta densidade, com 12 estações fixas e uma unidade móvel. A responsabilidade do estado pela implantação começou em 2019, com licença de instalação que previa essa estrutura. Mesmo assim, o órgão afirma que apenas seis estações foram instaladas e que o acompanhamento não ocorreu de forma contínua.

Em 2024, o governo estadual chegou a suspender a divulgação dos dados da qualidade do ar sob a justificativa de que o sistema ainda estava incompleto. Para o MPF, a omissão compromete o direito à informação ambiental e impede o controle social sobre um problema que afeta diretamente a saúde da população.

Na ação, o Ministério Público pede que a Justiça obrigue o estado a concluir a instalação das estações previstas, manter a divulgação contínua dos dados e adotar medidas para situações de poluição. O órgão também quer que sejam elaborados, em até 180 dias, um Plano Estadual de Monitoramento e um Plano para Episódios Críticos. Ao final do processo, o MPF requer ainda indenização de no mínimo R$ 2 milhões por danos morais coletivos.

O que diz a Sema

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) informa que o funcionamento de empreendimentos industriais na Ilha de São Luís está condicionado ao licenciamento ambiental, instrumento previsto na legislação brasileira que estabelece limites de emissão, condicionantes ambientais e obrigações de monitoramento e controle. Ressalta-se que o empreendimento Eneva São Luís possui licenciamento conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão federal competente para esse tipo de atividade.

No âmbito de suas atribuições, a Sema realiza acompanhamento sistemático das atividades industriais na região Itaqui-Bacanga, por meio de ações de fiscalização e análise dos relatórios de monitoramento ambiental exigidos nas licenças. O cumprimento das condicionantes ambientais é acompanhado de forma rigorosa e, quando identificadas irregularidades, são adotadas as medidas administrativas cabíveis, conforme a legislação ambiental.

O Governo do Estado também está ampliando a rede de monitoramento da qualidade do ar, iniciativa que fortalece o controle ambiental, amplia a transparência das informações e subsidia as ações de fiscalização.

A Sema reafirma seu compromisso com o monitoramento, fiscalização e controle ambiental, visando assegurar o cumprimento da legislação e a proteção da saúde da população e do meio ambiente