Familiares querem justiça pela morte de um paciente que supostamente sofreu maus-tratos em uma clínica psiquiátrica de São Luís.

Francisco Osvaldo Dias de Sousa tinha 38 anos, era inventor, um homem forte, saudável, que morava com a mãe, em São José de Ribamar, região metropolitana da Grande Ilha de São Luís. Porém após ser internado em uma clínica psiquiátrica, ele foi devolvido à família 40 kg mais magro e com sinais de tortura.

De acordo com informações da família, Francisco sofria de depressão e transtorno bipolar, fazia uso contínuo de remédios controlados há 13 anos, mas levava uma vida normal, trabalhava, e até foi criador de uma patente para o mercado automotivo.

Porém, o pesado da família começou com a chegada da pandemia e a suspensão dos medicamentos pelo Serviço Único de Saúde (SUS). Segundo informações da família, os funcionários alegaram que devido a pandemia os remédios não chegavam à Farmácia Estadual de Medicamentos Especializados (FEME), para o repasse aos pacientes.

A família relata ainda, que chegou a comprar os medicamentos, porém, devido ao período que ele ficou sem o tratamento, que sempre lhe garantiu qualidade de vida, Francisco passou a ter surtos e precisou ser levado pelo SAMU ao Hospital Nina Rodrigues, no dia 24/11/2020. No dia seguinte, 25/11, ele foi encaminhado para a clínica São Francisco de Neuropsiquiatria, localizada no bairro Cidade Operária, em São Luís.

Segundo a irmã da vítima, após ser internado, foi permitido algumas visitas e até telefonemas. Porém após um certo tempo, as visitas foram suspensas e os telefonemas. Segundo ela, a clínica alegava que era questão do isolamento social. Os telefonemas também foram suspensos, que segundo a direção da clínica o paciente se encontrava muito alterado, impossibilitando os telefonemas.

A família relata, que o paciente foi entregue a família, sem aviso prévio, 40 kg abaixo do peso que deu entrada na clínica e com diversas marcas de tortura pelo corpo. O paciente falei cerca de três dias após ser entregue a família.

O caso foi denunciado no Ministério Público do Maranhão e na Ouvidoria dos Direitos Humanos do Maranhão. A família cobra por justiça.