Queda da ponte entre Tocantins e Maranhão gerou custo extra de R$ 84 milhões com balsas e desvios, aponta TCU
A queda da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, que ligava os municípios de Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO), continua gerando reflexos financeiros e administrativos para os cofres públicos. Auditoria aprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) revela que o custo da tragédia ultrapassou os investimentos na reconstrução da estrutura e já soma cerca de R$ 259 milhões.
Além dos R$ 174,6 milhões destinados à construção da nova ponte, o governo federal precisou desembolsar outros R$ 84 milhões para recuperar rodovias utilizadas como desvios e manter uma operação provisória de travessia por balsas entre Maranhão e Tocantins.
Segundo o acórdão do TCU, o desabamento, ocorrido em 22 de dezembro de 2024, comprometeu a principal ligação rodoviária entre os dois estados, afetando o transporte de cargas, o escoamento da produção agrícola, a logística regional e a mobilidade diária da população, além de dificultar o acesso a serviços públicos.
A auditoria mostra que R$ 44,1 milhões foram destinados à recuperação emergencial de rodovias estaduais e federais que passaram a receber intenso fluxo de caminhões e veículos pesados após a interrupção da BR-010. Outros R$ 39,9 milhões custearam a operação de balsas implantada para reduzir o isolamento entre Estreito e Aguiarnópolis.
O relatório também destaca que, antes da tragédia, o próprio DNIT já havia identificado problemas estruturais na ponte e chegou a abrir uma licitação para executar obras de recuperação. No entanto, o processo foi encerrado sem contratação após todas as empresas participantes serem inabilitadas por não atenderem às exigências técnicas do edital. Com isso, as intervenções preventivas nunca foram executadas.
O colapso da estrutura resultou na morte de 14 pessoas, enquanto três vítimas continuam desaparecidas. A queda também provocou o tombamento de veículos, incluindo caminhões que transportavam produtos perigosos, gerando preocupação com possível contaminação do Rio Tocantins.
Sobre a reconstrução da ponte, o TCU reconheceu que a contratação emergencial ocorreu em um cenário excepcional, mas apontou falhas na condução da obra. Entre elas, a execução sem projeto básico e a elaboração do orçamento em poucos dias, baseada em estimativas preliminares.
O principal questionamento dos auditores envolve um item de R$ 11,2 milhões, denominado “Apoio à Construção”. Segundo o tribunal, a despesa foi incluída sem detalhamento técnico, sem quantitativos definidos e sem critérios objetivos que permitissem uma fiscalização independente dos serviços executados.
