Com uma votação expressiva de quase 19 mil votos nas eleições de 2018, Luiz Henrique Lula da Silva, que foi candidato a deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores, recentemente assumiu a vaga do deputado Zé Inácio, companheiro de legenda, que se afastou do cargo por motivo de saúde, revelou em entrevista a O Imparcial seus projetos agora como parlamentar na Assembleia Legislativa do Maranhão.

Luiz Henrique Lula da Silva, falou também sobre o diálogo que o PT vem estabelecendo com o governador Flávio Dino; a filiação do secretário de Estado da Educação do Maranhão Felipe Camarão na legenda; sobre o fortalecimento do partido para as eleições de 2022; sucessão no governo do estado e outros assuntos.

Quem é Luís Henrique Lula da Silva?

Um homem do povo. Um Luís. Um Silva. Um Lula. Eu costumo brincar que tudo no meu nome e na minha personalidade é meu mesmo. Meu nome é Luís Henrique. E meu apelido de criança era Lula. E o meu sobrenome é Silva. Eu tenho propriedade de tudo do meu nome em termos de assinatura política. Apenas um cidadão brasileiro, filho de uma dona de casa do povoado de São Pedro de Bacabeira com um pedreiro negro de Alcântara. E, a partir dessa formação com base familiar e da minha experiência de vida que me foi dada, eu fui me envolvendo com a Igreja católica e fui militante dela; um homem que se envolveu com o movimento estudantil secundarista e foi militante dele; um homem que se envolveu com o movimento estudantil universitário e foi militante dele; um homem que se envolveu com o movimento de rádios comunitárias e foi militante dele e um homem que se envolveu com a política e escolheu um partido de vida e se envolveu até chegar a essa condição de ser representante do povo na Assembleia Legislativa do estado. Esse é o Luís Henrique Lula da Silva.

De que forma o senhor pretende deixar marcada a sua história na Assembleia Legislativa do Maranhão?

Eu pretendo marcar essa passagem com as mesmas razões que me levaram para lá. A liga que o deputado Luís Henrique Lula da Silva tem é com a militância social, é com os movimentos sociais, é com o mais simples filiado de base do PT. Porque se tem um mandato construído por esses atores, foi o meu. Eu não tive apoio de nenhum prefeito, poucos vereadores basistas. Então, para nós que fazemos militância à política sobre esses parâmetros, o êxito está nisso. Se essas pessoas se sentirem representadas com o meu mandato, eu vou me dar por muito feliz e realizado e ter cumprido a minha missão.

Como o senhor analisa esse diálogo político entre o PT e o governador Flávio Dino para as eleições de 2022?

Eu vejo que não há palanque que não seja do Lula e do Flávio juntos. Não há razão nenhuma para se imaginar o contrário. E, principalmente, não há lógica para não se pensar assim. O PT ocupa secretarias importantes do governo. O PT se identifica com a política implementada pelo governo Dino. Até mesmo porque a maior parte dessa política é uma réplica do que fizemos no período que assumimos a República. E o PT é muito grato ao governador, porque em vários momentos de nossa história, nos momentos mais agudos, mais difíceis, como no golpe contra Dilma e na prisão do presidente Lula, o governador Dino jamais deixou de ser solidário ao partido.

Eu não enxergo possibilidades em que Lula e Flávio não estejam em um mesmo palanque. Esse é o nosso desejo. Esse é o desejo do Lula. E esse é o desejo do Flávio. E, portanto, todo e qualquer problema que estiver no meio do caminho vai ter que sair, porque essas duas figuras, essas duas expressões políticas, elas estarão juntas, sim. Ou o Lula convence o Flávio que o melhor palanque é o que ele apontar, ou o Flávio convence o Lula que o palanque que ele colocar aqui é o melhor para a esquerda e para a história de ambos que constroem a esquerda com a visão social que tem que é o melhor palanque para o povo e para os projetos que eles encabeçam.

“O PT encontra-se hoje no caminho da unidade”

De que forma o PT tem trabalhado para fortalecer a imagem com vistas às eleições de 2022?

Primeira coisa que o PT resolveu fazer foi sair de suas disputas internas para construir um projeto político unificado. Pela primeira vez você vê um PT marchando junto no plano nacional e no plano estadual. E no plano nacional estamos com nossas bandeiras de Lula contra esse governo genocida, irresponsável, incompetente, absolutamente inapto, que só não caiu porque comprou o congresso. Estamos juntos no combate à essa pandemia, implementado pelo governo Flávio Dino com as políticas definidas pelo PT, que é a valorização da ciência, com o processo de segurança sanitária. As forças que compõem o PT hoje navegam com um único propósito, que é dobrar ou triplicar a bancada de deputados federais e quadruplicar ou quintuplicar a bancada de deputados estaduais. Por isso estamos unificando o partido na mesma direção. O PT encontra-se hoje no caminho da unidade. Um caminho que o partido fale como partido e não que fale por partes, como era muito comum ao PT. A própria entrada do Felipe Camarão no PT representa isso. 75% do PT não objetou a entrada do Felipe Camarão. Isso faz parte de um universo de diálogo, de conversa, que está em convergência, que estamos convivendo no Maranhão.

O senhor pretende disputar novamente uma vaga na Assembleia ou vai tentar uma vaga na Câmara Federal?

Para quem perdeu por miséros votos como eu perdi, eu não tenho outra alternativa que é repetir o mesmo caminho da eleição passada. Eu fui candidato somente uma vez a cargo proporcional em âmbito estadual como foi a vez passada. Agora mais amadurecido, provando que um deputado militante pode se eleger, provando que não precisa do poder do capital para elegê-lo, que o poder político não é necessário para elegê-lo, que a sua trajetória de luta, a sua história de vida é o grande legado para elegê-lo; eu vou, portanto, disputar sim uma vaga na Assembleia Legislativa do Maranhão.

Quem o PT vai apoiar para o governo do estado nas próximas eleições? Já houve alguma definição do partido com relação a isso?

Nós já discutimos duas alternativas, que são as alternativas que estão na base de governo. Não discutimos outras alternativas. Naturalmente, temos um processo que foi instituído pelo governador e que nós respeitamos. O governador pediu a todos os partidos para que ele pudesse conduzir a sua própria sucessão. E a forma que ele está conduzindo sua sucessão é mediar um acordo entre as duas partes que estão nessa disputa legitimamente. Tanto o vice-governador como o senador Weverton tem total legitimidade para discutir a sucessão do governador Flávio Dino. Eu seria, digamos assim, leviano ou faltaria com a verdade se eu não dissesse que naturalmente o senador Weverton, até por estar onde está, tem uma relação de aproximação ideológica, que é maior do que com o vice-governador Brandão, que está hoje em um partido adversário histórico, que é o PSDB.  Mas, naturalmente demos o tempo que o governador precisa para tentar essa mediação e obviamente que essa decisão não é só do Maranhão. O Maranhão está na rota nacional, seja porque tem o Dino como governador do estado, seja pelo ex-senador Sarney, que o Lula respeita muito a opinião e as ponderações que ele faz; seja pelo próprio vice-governador.